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27 Nov

OS MEUS DIAS PELA CROÁCIA (PARTE 1): ZAGREB E SPLIT

 

Os meus dias pela Croácia (1ª parte): Zagreb e Split

Texto & Fotos de Mário Menezes

 

A minha primeira incursão pelos Balcãs ocorreu em Janeiro de 2014, onde de passagem para outras paragens, encontrei Belgrado, a Cidade Branca, fazendo jus ao nome. Aos Balcãs regressei novamente em Outubro de 2022, tendo essa aventura começado na Eslovénia um país fascinante, sendo a Croácia visitado nesse seguimento, numa nova aventura por esta parte da Europa, que durou cerca de duas semanas.

 

Esta viagem proporcionou-me aumentar o meu conhecimento da região dos Balcãs e dos países que fizeram parte da antiga Jugoslávia. O país assim chamado, outrora pouco aberto ao turismo de massas devido ao seu regime, era sobretudo procurado pelas suas maravilhas da natureza, nomeadamente os parques nacionais, a sua costa, e as suas ilhas banhadas pelo mar Adriático, onde além de sol e praia, se respira História. A Jugoslávia era maioritariamente visitada por turistas oriundos dos países vizinhos, Itália ou Áustria por exemplo, aproveitando o custo de vida muito favorável face aos seus países de origem.

Hoje os países dos Balcãs são destinos da moda, já sofrem as consequências do turismo de massas, oriundo de todos os continentes, catapultado pelas viagens de avião baratas, e unidos pelas autoestradas em larga escala, a toda a Europa. Eslovénia e Croácia, até já pertencem à União Europeia, possuem infraestruturas hoteleiras modernas, e por tudo isso sujeitas às leis de mercado, jamais serão destinos turísticos baratos! A quantidade de autoestradas que existem, impressionou-me sobretudo por se tratar de países que entraram há poucos anos na UE…”já tínhamos muito antes” informaram-me! Comparemos com Portugal, onde a A1 a ligar Lisboa e Porto, foi a primeira grande auto estrada que tivemos concluída ao fim de quase 6 anos após entrarmos na UE…

 

A História da Croácia tem muitas coincidências com a da Eslovénia. Também remonta a tempos pré-históricos, existindo registos de ocupação humana com mais de 250 mil anos naqueles territórios. Em quase todo o território Croata, já foram encontrados diversos vestígios destes períodos, por exemplo, no norte já foram encontrados fósseis neandertais. Ao longo dos anos, também fez parte do Império Romano, do Império Bizantino, da República de Veneza, do Império Austro-Húngaro, do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, do Reino da Jugoslávia, e por último da República Socialista Federativa da Jugoslávia desde 1945, após a II Guerra Mundial, até à sua desintegração que começou no início dos anos 1990.

No ano 925, o então duque Tomislav foi coroado Rei dos Croatas, criando-se um reino que compreendia as terras desde o Rio Drava até ao Mar Adriático. O seu reinado durou até ao final do século XI quando passaram a ser governados por reis húngaros. Com a invasão otomana dos Balcãs, as terras croatas passaram a ser a fronteira entre o mundo muçulmano e o cristão, estando a parte norte nas mãos dos croatas e a parte sul nas mãos dos otomanos.

 

Split, Catedral de São Dómnio

 

Split, Catedral de São Dómnio

 

Split, vista desde a torre do sino da Catedral de São Dómnio

 

Split, vista desde a torre do sino da Catedral de São Dómnio

 

Split, vista desde a torre do sino da Catedral de São Dómnio

 

Split, vista desde a torre do sino da Catedral de São Dómnio para a colina Marjan

 

Split, vista desde a torre do sino da Catedral de São Dómnio, para a zona portuária

 

Split, vista desde a torre do sino da Catedral de São Dómnio

 

No final da I Guerra Mundial a Croácia tornou-se parte do Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios, entrando em união com o Reino da Sérvia para criar o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, também conhecido como Jugoslávia. Após a invasão pela Alemanha Nazi em 1941, a Jugoslávia foi desmembrada e o Fascista Ante Pavelić tornou-se o líder do Estado Independente da Croácia. Centenas de milhares sérvios, judeus, ciganos e croatas foram exterminados em campos de concentração, o que gerou o aumento do ódio entre sérvios, maioritariamente cristãos ortodoxos e croatas fascistas, que viam na religião católica um dos pilares do nacionalismo croata. No fim da II Guerra Mundial, Josip Broz Tito, que derrotou os invasores nazis, unificou todas as Repúblicas Jugoslavas em torno de um Estado Comunista, a República Socialista Federativa da Jugoslávia. Tito morreu em 1980, década que marca o início do fim do Comunismo na Europa. A transição desses países para uma economia de mercado não foi pacífica. No início dos anos 1990, começou a desintegração da Jugoslávia, processo que durou vários anos, com conflitos armados que diariamente passavam em “prime time” nas TVs.  A Croácia era tida como a maior e das mais desenvolvidas economias das repúblicas da Jugoslávia, daí a existência de movimentos separatistas. E foram os separatistas que anunciaram a independência da Croácia da Jugoslávia em 25 de junho de 1991. O território croata foi então invadido pelo Exército Popular Jugoslavo, então sob domínio sérvio, que interveio com o pretexto de defender as minorias sérvias residentes na Croácia, causando violentos conflitos entre croatas e sérvios e ocupações do território croata por milícias sérvias. As Nações Unidas foram forçadas a intervir militarmente para assegurar a paz. Em 1992, o país foi reconhecido como independente. Em 1995, numa operação militar com êxito, a Croácia recupera, sem nenhuma ajuda externa, quase todos os seus territórios ocupados pelos sérvios, no que foi a primeira derrota do poderoso e temível Exército Popular Jugoslavo. Em 1998, sob forte pressão internacional, a Jugoslávia devolveu o último território croata ocupado, a Eslavónia Oriental, território fértil com cultivos agrícolas e com florestas. 250 000 sérvios foram expulsos das suas casas em 1995, na maior operação de limpeza étnica da Europa. Franjo Tudjman, primeiro presidente eleito, foi responsável por levar o país à sua independência, recuperar os territórios ocupados sem ajuda internacional e ajudar os bósnios e os bósnio-croatas na luta pela independência da Bósnia e Herzegovina.

 

Quem viaja para a Croácia deverá saber quem foi Nikola Šubić Zrinski. Um soldado croata ao serviço da Monarquia de Habsburgo, pois a Croácia pertenceu ao Império Austro-Húngaro. Um verdadeiro herói nacional que salvou o país e por conseguinte grande parte da Europa do domínio Otomano. Ele travou e venceu várias batalhas contra os Otomanos, à exceção da Batalha de Szigetvár, em 1566, em território Hungaro. Comandados por Zrinski, 2.300 soldados defenderam a fortaleza de Szigetvár contra 100 mil soldados do exército invasor do Império Otomano comandados pelo sultão Suleiman. O exército de Zrinski foi derrotado, mas vendeu cara a derrota, tendo o exército Otomano sofrido grandes baixas que o impossibilitaram de continuar a sua ofensiva pela conquista de territórios Austro-Húngaros e causando a morte do sultão cujo cognome era “O Magnífico”. A vitória Otomana acabou por ser uma “vitória de Pirro”, ganharam a batalha, mas perderam a guerra! O compositor Ivan Zajc em 1876 compôs a famosa ópera Croata “Nikola Šubić Zrinski” que relata a preparação de Zrinski para essa batalha. A ópera termina com a famosa ária “U boj, u boj” significa “para a batalha, para a batalha”, uma das músicas nacionalistas croatas mais importantes.

 

Ao falar da Croácia é impossível a qualquer amante de viagens não referir Marco Polo, um enorme viajante, mercador e embaixador Veneziano, mas segundo os Croatas ele nasceu na ilha de Korcula, sendo muitas vezes o país promovido em feiras de turismo como “A terra de Marco Polo”. Seja ou não verdade, a Croácia é um país maravilhoso e com muitos mais argumentos que justificam largamente ser visitado: bonitas cidades, natureza, parques naturais (12 ao todo) e parques nacionais (8 ao todo), ilhas (mais de 1000, sendo 48 habitadas), a sua costa Adriática, História, cultura, gastronomia maravilhosa, vinho e cerveja incluídos, país moderno e seguro e com um povo na generalidade alegre, afável e acolhedor, etc, etc…

 

Zagreb, Esplanade Zagreb Hotel

 

Zagreb, Estação de comboios central

 

Zagreb, estátua de Dražen Petrović

 

Zagreb, estátua de Josip Jelačić no centro da Praça Ban Jelačić, coração da cidade

 

Zagreb, estátua de Kumica Barica na entrada do Mercado Dolac

 

Zagreb, Fortaleza de Kaptol

 

Zagreb, Funicular visto desde a Ilica

 

Zagreb, funicular

 

Zagreb, Gradec

 

Zagreb, Kaptol e Novi Zagreb vista desde Gradec

 

Zagreb, Košarkaški centar Dražen Petrović

 

Zagreb, Mercado Dolac

 

Zagreb, Museu Mimara

 

Aqui segue uma parte do meu roteiro de 9 dias, em que pude visitar o que de melhor tem a Croácia, no entanto ainda aquém do muito que o país tem para nos oferecer.

 

ZAGREB – 2 noites

 

Zagreb, à semelhança de outras capitais (Sófia, Helsínquia ou Bratislava por exemplo) é tida como o parente pobre do país, sendo normalmente visitada de passagem a caminho da Costa Adriática, dos Parques Nacionais ou mesmo de outros países Balcânicos. Apesar disso, e de ter tratado esta parte da viagem como “o Patinho feio”, a cidade não deixou de me surpreender pela positiva, e lamento não poder ter deixado mais tempo para Zagreb, mas uma manta quando tapa a cabeça, destapa os pés…

Zagreb, sendo maior em tamanho que Liubliana, em um dia conseguimos explorar muitos dos seus pontos principais, que se localizam pelas imediações do centro histórico, divididos pela “Kaptol”, a zona baixa e pela “Gradec” a zona alta onde podemos aceder de funicular, o Funicular de Zagreb com apenas 66 metros de troço, é dito por eles que é o mais curto do Mundo, mas o Google desmente essa teoria….

 

Zagreb, Praça do Rei Tomislav, estátua do Rei Tomislav e ao fundo o Pavilhão de arte

 

Zagreb, Praça do Rei Tomislav, Pavilhão de arte

 

Zagreb,Catedral Starcevicev

 

Zagreb,Praça Ban Jelačić, coração da cidade

 

Zagreb,Rio Sava e Novi Zagreb

 

A Zagreb cheguei de noite, de autocarro Flixbus desde Maribor (Eslovénia), onde havia passado parte desse dia que começou bem cedo em Liubliana (Eslovénia). Os Zagrebinos são bem mais afáveis, comunicativos e divertidos que os Liublianos. As primeiras impressões não poderiam ser melhores, pois no elétrico no caminho do terminal rodoviário para o hostel, uma senhora ofereceu-me um bilhete quando perguntei se a bordo se poderiam adquirir, depois à chegada ao hostel foi-me oferecido um shot de rakija como bebida de boas vindas. Fiquei alojado em plena “Ilica” (lê-se ilissa), uma das ruas principais de Zagreb, com 5,6Km onde as principais linhas dos elétricos passam e é um regalo vê-los passar pois existem vários ainda com aparência “retro”, uma rede de transportes públicos citadinos, bastante eficiente e fácil de utilizar.  A Ilica é uma rua comercial onde as lojas de marcas como Zara, Mango, Calzedonia, Women’s Secret, Adidas, Nike, etc. e outras de estilistas locais, joalheiras luxuosas, padarias, pastelarias e diversos restaurantes se podem encontrar.

Zagreb, à semelhança de Belgrado e Liubliana, também é banhada pelo rio Sava. Situa-se nas proximidades da Montanha Medvednica onde o Pico Sljeme com 1.035m é o seu ponto mais alto, sendo acessível de teleférico desde Fevereiro de 2022.

 

Zagreb, Academia Croata de ciências e artes

 

Zagreb, Catedral em Kaptol vista desde Gradec

 

Zagreb, Catedral em reconstrução devido aos danos dos sismos de 2020

 

Zagreb, elétrico

 

Zagreb surgiu da união de duas cidades medievais, cercadas por muralhas e fortificações, situadas em duas colinas vizinhas: Kaptol e Gradec, atualmente as zonas baixa e alta da cidade. Segundo registos históricos, existiu uma diocese em Kaptol fundada pelo rei húngaro László I. Após a invasão mongol que Kaptol e Gradec sofreram em 1242, o rei húngaro Béla IV proclamou Gradec como uma cidade livre. As duas cidades continuaram a desenvolver-se separadamente até 1850, data em que se uniram. A partir daí, a cidade foi-se expandindo. Por Kaptol durante o século XIX, palácios e parques verdes foram construídos. O século XX trouxe a industrialização e a cidade foi-se expandindo para o outro lado do rio Sava, zona atualmente chamada de Novi Zagreb (Nova Zagreb), local onde predominam edifícios modernos.

 

Zagreb, Parque Maksimir

 

Zagreb, Parque Maksimir

 

Zagreb, Praça Ban Jelačić, relógio branco

 

Zagreb, Praça da República Croata, Academia de música

 

Zagreb, Praça da República Croata, Escola de Artes Aplicadas e Design

 

Os meus dias por Zagreb começaram na zona da Ilica, tendo no primeiro explorado o seu centro histórico que facilmente se faz caminhando. Dali seguindo em direção ao funicular, e subindo por este, chegamos a Gradec, junto da Torre Lotrščak onde podemos desfrutar das vistas para Kaptol ao perto, e Novi Zagreb ao longe. Nas proximidades existe outro miradouro com vista para a Catedral e para essa zona circundante. Gradec possui diversos museus e uma Praça de São Marcos onde existe uma das igrejas mais importantes da cidade, a Igreja de São Marcos. Gradec e Kaptol encontram-se na Praça Ban Jelačić, a praça principal de Zagreb, o coração da cidade. Ela possui vários edifícios, alguns remontam aos séculos XVII e XVIII, mas a maior parte foi construída no século XIX, quando a praça foi nomeada pela primeira vez de Ban Josip Jelačić, homenageando uma das figuras mais importantes da história croata. Josip Jelačić foi um conde, general e governador (ban) da Croácia nos tempos do Império Austro-Húngaro. Ele trouxe glória ao povo croata proclamando a abolição do feudalismo e tendo lutado por maior autonomia croata dentro desse Império ao qual o país pertenceu. Em 1947, o governo da Jugoslávia, mudou o nome da praça para Praça da República, mas em 1990, quando os croatas reivindicavam a independência, a praça voltou a chamar-se Ban Jelačić, cuja sua estátua no centro da mesma tem um enorme valor nacionalista. Nesta praça decorrem os eventos mais importantes do quotidiano Zagrebino. Além da estátua de Josip Jelačić, nesta praça existe um relógio branco famoso, que é um ponto de encontro, e julga-se que ninguém olha para ele para saber as horas, mas certifiquei-me que o mesmo dava horas certas. Mesmo que estivesse parado, duas vezes por dia também o faria…

Da Praça Ban Jelačić a poucos metros alcançamos o Mercado Dolac, cuja entrada é marcada pela estátua de Kumica Barica que homenageia as mulheres trabalhadoras. É um mercado citadino tradicional onde se vendem não só os produtos agrícolas e flores, mas também souvenirs turísticos, por sinal nada baratos!  Dali facilmente alcançamos a zona da Catedral junto da Fortaleza de Kaptol, próximo de um muro que contém um relógio que se encontra parado desde as 7h03 do dia 9 de novembro de 1980, quando um grande sismo atingiu a cidade.

Praça do Rei Tomislav é outra das famosas praças de Zagreb. O nome original era Franz Joseph I. No entanto, após a queda do Império Austro-Húngaro, ela foi renomeada para Rei Tomislav, que teve a proeza de unificar os croatas da Dalmácia e de Panónia e assim formar um reino único, o Reino da Croácia. A estátua de Tomislav, que foi o primeiro rei croata, montando um cavalo, desde 1947 encontra-se no centro desta praça.  Além da estátua, destaca-se o sumptuoso edifício do Pavilhão de Arte.

É nas imediações da Praça do Rei Tomislav que os visitantes chegam a Zagreb, seja de autocarro à Autobusni Kolodvor Zagreb, a cerca de 1,5 Km ou de comboio, bastando para isso atravessar a rua em frente da estátua. A estação ferroviária central, “Zagreb Glavni Kolodvor” é a maior e mais importante do país, e uma das paragens do Expresso do Oriente. Em tempos os seus passageiros ficavam alojados no Esplanade Zagreb Hotel, um hotel de luxo cujo edifício extravagante datado dos anos 1920 não deixa ninguém indiferente à sua passagem.

Tida como a mais bonita praça de Zagreb, a Praça da República Croata ostenta no seu centro o enorme edifício do Teatro Nacional Croata que se destaca dos demais, como é o caso da Academia de Música de Zagreb e da Escola de Artes Aplicadas e Design. Pela Praça da República fiz o primeiro “giro” pela cidade, depois de jantar tendo tirado fotos bastante interessantes com todos estes edifícios iluminados.

 

Zagreb, Teatro Nacional

 

Zagreb, Teatro Nacional

 

Zagreb, Teatro Nacional na Praça da República Croata

 

Zagreb, Teatro Nacional, final da ópera Nikola Šubić Zrinski

 

Zagreb, Teatro Nacional

 

Parques e zonas verdes abundam na cidade, formando nesta zona, com as ruas e as praças, uma espécie de Ferradura verde, a chamada Ferradura de Lenuci, pois foi Milan Lenuci o arquiteto responsável por este projeto urbano. Quem circule por estes lados, passará certamente pelo Parque Zrinjevac, mas a maior e mais antiga área verde da cidade fica na zona periférica, o Parque Maksimir. Foi fundado em 1787 e o seu nome deriva de quem o inaugurou, o bispo Maksimilijan Vrhovac. O parque necessita de algumas horas para ser percorrido e contém no seu interior um jardim Zoológico.

O nome de Maksimir para a maior parte de nós não é certamente associado a nenhum parque mas a um estádio de futebolEstádio Maksimir. O clube que ali joga, o GNK Dinamo Zagreb é centenário e o mais titulado do campeonato Croata. Também é aqui que habitualmente a Seleção Nacional da Croácia realiza os seus jogos. A saúde financeira do clube não vai de vento em popa, há vários anos que procura reformar o estádio, tornando-o num palco moderno, confortável e funcional, no entanto as obras têm consecutivamente parado. Para piorar as coisas, o terramoto que assolou Zagreb em 2020, deixou as suas marcas, causando danos estruturais e impediu por algum tempo a sua utilização, continuando a bancada Este ainda interditada. O Estádio Maksimir foi inaugurado em 1912, tem uma arquitetura particular, pois as bancadas são todas diferentes e não possuem cobertura. Na época 2018/2019, o Benfica jogou ali uma partida a contar para a Liga Europa, tendo perdido por 1-0. Os adeptos benfiquistas que se deslocaram a Zagreb para assistir a esse jogo, desaconselham a ir ao futebol neste país. Claques associadas a movimentos Nazis, que têm causado distúrbios por onde passam, semeando o medo e causando insegurança aos adeptos visitantes. Este clube deu a conhecer ao Mundo grandes futebolistas, Luka Modrić foi o maior de todos eles tendo ganho a Bola de Ouro em 2018. Tomislav Ivković, Davor Šuker, Robert Prosinečki, Mario Mandžukić foram outros dos nomes sonantes que passaram pelo Maksimir. A Jugoslávia já foi apelidada em termos futebolísticos como “Brasil da Europa” e a Seleção Nacional Croata que herdou a genética, é uma das mais fortes do Velho Continente, contando presenças nas meia-finais dos Campeonatos do Mundo de 1998 e 2022, tendo alcançado em ambos o 3ºlugar, e na final do de 2018 sendo derrotada pela toda poderosa França, mas vendendo cara a derrota. No entanto, ainda poucos entenderam como Modrić, mesmo sendo um enormíssimo jogador, conseguiu ganhar essa Bola de Ouro, deixando para trás nomes como Messi, Cristiana Ronaldo, Neymar ou Kylian Mbappé…

 

Zagreb, Estádio Maksimir

 

Zagreb, Estádio Maksimir

 

Como qualquer país desta região da Europa, a Croácia possui um património artístico riquíssimo, sendo os espetáculos de ópera, ballet e música clássica uma das suas marcas. Mesmo que não sejamos conhecedores e apreciadores deste tipo de espetáculos, é impossível ficar indiferente à sua grandiosidade. No Teatro Nacional Croata tive oportunidade de ver ao vivo a ópera Croata “Nikola Šubić Zrinski” por um preço que pode ser considerado como simbólico! Cerca de 15€ na plateia. Foi o meu programa para a noite de 5 de outubro, à hora que em Lisboa o Benfica jogava com o Paris Saint Germain para a Liga dos Campeões. Quem diria que alguma vez na minha vida isso iria acontecer, trocar futebol por ópera! Sim, porque poderia ser “Inacio” e ter visto o jogo no meu tablet em iptv aproveitando o wifi do hostel…hoje se disser a um Croata que troquei um jogo de futebol do meu clube para ver ao vivo o “Nikola Šubić Zrinski” certamente subirei muito na sua consideração!  Além do Teatro Nacional Croata, a oferta da cidade inclui a Sala de Concertos Vatroslav Lisinski onde os preços parecem ser bem apelativos face aos padrões de muitos países da Europa incluindo Portugal…

 

A oferta cultural de Zagreb, nomeadamente a lista de museus, deixaram-me “com água na boca”. Porém o território croata, recorrentemente tem sido afetado por sismos, tendo em 2020 ocorrido dois que causaram bastante destruição, pelo que durante a minha estada encontrei vários locais turísticos encerrados, como por exemplo a Catedral, o edifício mais famoso da cidade, que se encontra em reconstrução e o Museu Mimara famoso museu de arte, tido como dos mais importantes, também sofreu danos e na altura encontrava-se encerrado. Escolhi visitar 3 museus em Zagreb, um logo no primeiro dia, e seria esse o único que estaria previsto. Os dois restantes visitei no segundo dia, durante a manhã (à tarde fui embora) pois considerei para a curta estada, suficiente o passeio pela cidade que havia feito no dia anterior.

 

Zagreb, Museu e Centro Memorial Dražen Petrović

 

Zagreb, Museu e Centro Memorial Dražen Petrović

 

Zagreb, Museu e Centro Memorial Dražen Petrović

 

Zagreb, Museu e Centro Memorial Dražen Petrović

 

Museu das relações quebradas, conseguiu colocar Zagreb no mapa da lista dos museus mais importantes que tenho visitado pelo mundo fora. Um dos museus mais estranhos, mas mundialmente famoso e com um enorme número de visitantes. Relações amorosas quebradas todos nós temos para contar e objetos alusivos a elas também existem. Desde coisas inamovíveis, como por exemplo obras em casa dos sogros ou moradias construídas no terreno deles, até outras tidas como caricatas, estranhas e algumas bem dramáticas. Pensava eu, na minha inocência, que iria visitar um museu divertido. Encontrei um museu com algumas coisas horríveis. Relações quebradas entre namorados ou cônjuges também existem, muitas vezes até são engraçadas. Mas pior que isso são relações quebradas entre pais e filhos, com a morte destes últimos. Um objeto que me marcou muito foi uma porta. E também um vestido de noiva de um casamento que nunca veio a acontecer devido a um ato terrorista. Visitar este museu é também uma enorme lição de vida. Além de ter assinado o livro de visitas, conclui que na minha família até existiu um objeto e uma carta associada ao mesmo. Uma história que mete fantasmas. Acerca de um pijama do meu avô que a minha mãe deu ao meu pai e, que ele devolveu, e bem sabe porquê. Muitas pessoas próximas de mim sabem essa história, que me fez arrepiar quando a contei à rececionista. Ao invocar estas coisas, não me senti bem…Se algum dia encontrar algum desses dois objetos irei enviá-los para aqui, o pijama, a minha mãe já se livrou dele há décadas, foi para Fão, terra da minha avó entregue a uma pessoa de baixos rendimentos, mas a carta ainda a havemos de procurar na cave…Curioso que terminei esse dia a assistir a uma ópera, e na minha vida, até tem tudo a ver: ópera e relações quebradas! A vida tem muitas coincidências e as viagens que vou fazendo servem para me reencontrar comigo próprio e me conhecer melhor…”conhece a ti mesmo”, foi Sócrates que há muitos anos proferiu essa frase, lá para os lados da Grécia!

 

Zagreb, Museu das relações quebradas

 

Zagreb, Museu das relações quebradas

 

Zagreb, Museu das relações quebradas

 

Museu Nikola Tesla, o outro museu que visitei, foi uma escolha acertadíssima, mesmo não entrando na lista dos museus mais importantes que visitei pelo Mundo, depois de ter visitado o Deutsche Museum em Munique, o Museu da Ciência e Indústria em Chicago e o Museu da Ciência em Londres. Trata-se de um museu de tecnologia, ciência e engenharia. A antiga Jugoslávia era um país industrializado, pelo que a existência de um museu desta natureza é mais que óbvia. A indústria mineira tem forte representação, existindo inclusivamente um modelo de uma mina onde os visitantes podem descer. Motores, turbinas, máquinas ferramentas (tornos e fresas), sistemas automáticos de extinção de incêndios, equipamentos dos bombeiros, transportes, aeronáutica e aeroespacial, etc. Destaca-se uma área dedicada a Nikola Tesla, um cientista, engenheiro mecânico e inventor, que é tido como herói nacional. Sérvio mas nascido na Croácia, desenvolveu inúmeras experiências e inventos que contribuíram para o avanço da ciência e da tecnologia, nomeadamente as telecomunicações.  Ali, numa área destinada às grandes figuras da ciência e tecnologia da Croácia, podem ser vistas várias das suas demonstrações e experiências, coisas que mudaram o mundo.
O malogrado Dražen Petrović foi um dos melhores basquetebolistas de sempre, que partiu prematuramente aos 28 anos, num acidente de automóvel na Alemanha. O seu corpo descansa num mausoléu localizado no Cemitério de Mirogoj, mas desde 2006, exatamente 13 anos após a sua morte, o Museu e Centro Memorial Dražen Petrović pode ser visitado. Localizado junto do pavilhão Košarkaški centar Dražen Petrović também chamado de “Cibona”, onde são levados a cabo partidas de basquetebol desse clube, Cibona. Apesar de não ser apreciador da modalidade, foi homenagenando Dražen Petrović que me despedi de Zagreb. O museu possui diversos objetos relacionados com a sua vida, camisolas dos clubes que representou, nomeadamente o Šibenka (da sua terra natal), do Cibona (Zagreb), do Real Madrid e da NBA, Portland Trail Blazers e New Jersey Nets, assim como da Seleção Nacional Jugoslava, que esteve presente nos Jogos Olímpicos de 1992, tendo sido “trucidada” na final pelos EUA, onde figuravam nomes como Magic Johnson, Michael Jordan, Scottie Pippen ou Karl Malone.

Uma pessoa culta certamente citará no imediato os nomes de Nikola Šubić Zrinski, Nikola Tesla, Ban Jelačić, Franjo Tudjman como algumas figuras de topo da História Croata. Uma pessoa bem informada citará os nomes de Kolinda Grabar-Kitarović, a antiga presidente, Luka Modrić ou Dražen Petrović como figuras marcantes dos últimos anos. Quem visitar a Croácia jamais se esquecerá desses nomes!

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla, busto de Nikola Tesla

 

Zagreb, Museu Nikola Tesla

 

De Zagreb parti com vontade de voltar, seguiu para  o interior do país para visitar os Parque Nacionais mais importantes. Para Korenica e Skradin que ficam respetivamente nas suas proximidades. De Skradin rumei à Costa Adriática, a Split.

Split, Colina Marjana, vista para as ilhas no mar Adriático

 

Split, estátuia do pooeta Marko Marulić, considerado como o pai da Literatura croata

 

Split, Praça da República

 

Split, Praia Kasjuni

 

Split, Praia Lubinski Porat, com vista para a cidade de Kaštel Lukšić

 

SPLIT – 2 noites

 

Como não considero possuir uma cultura geral acima da média, a primeira vez que ouvi falar em Split foi por motivos relacionados com futebol. Nos tempos em que era estudante de engenharia, no ano de 1994, o Benfica, campeão nacional, disputava a Taça dos Clubes Campeões Europeus, competição que deu origem à Liga dos Campeões. Jogada em moldes semelhantes aos atuais, iniciava-se com uma fase de grupos. O HNK Hajduk Split era uma das equipas que saiu em sorte ao Benfica e quis o destino que o primeiro jogo fosse no terreno do adversário em Setembro. O jogo terminou empatado sem golos e três adeptos da claque No Name Boys, que se deslocaram a Split, perderam a vida num acidente de automóvel no regresso a casa: Jorge Maurício, o mais carismático, conhecido por “Gullit”, Tino e Rita, os outros dois. Semanas depois, no jogo em que o Benfica recebeu o Hajduk Split, que tive oportunidade de assistir ao vivo, a claque do clube Croata, fez questão de se deslocar ao topo Sul, e entregar aos No Name Boys uma coroa de flores. Os No Name Boys posteriormente exibiram uma tarja que tinha escrito “Freedom for Croatia”, pois na Croácia viviam-se conflitos separatistas. Apesar dos adeptos desses clubes saltarem para a ribalta muitas vezes pelos piores motivos, o Desporto pode ser uma coisa linda e os valores que transmite aos povos são sempre de enaltecer. As duas claques “No Name Boys” e “Torcida Split” têm desde aí laços de amizade bastante consolidados. Ainda recentemente um jogo de uma eliminatória da Liga Conferência, o Vitória de Guimarães defrontou o Hajduk Split sendo o jogo da Cidade Berço marcado por desacatos e confrontos entre adeptos vindos da Croácia com membros de outras claques de clubes do Norte de Portugal que “descarregam” no Benfica as suas frustrações bairristas e regionais, sem motivos válidos para que elas existam. Inclusivamente viaturas com matrícula croata, estacionadas na Trofa, a mais de 30 Km de Guimarães, foram vandalizadas.
A minha visita a Split iniciou-se no Estádio Poljud e serviu também para homenagear Rita, Tino e “Gullit”, pelo que fiz questão de colocar o meu cachecol do Benfica durante a mesma. Este estádio que alberga cerca de 35 mil espetadores, é o que oferece melhores condições de modernidade e conforto, sendo por isso utilizado regularmente nos jogos da Seleção Nacional da Croácia. Foi inaugurado por Josip Tito em 1979, para ali se realizarem os Jogos Mediterrâneos. Reconhecido como património Cultural desde 2015, a sua imagem de marca é sua forma arquitetónica, inspirada numa concha, sendo as florestas e a costa do Mar Adriático que circundam a cidade de Split, visíveis do seu interior, como podemos comprovar nas transmissões televisivas.

 

Split, bilhete para o tour pelo Estádio Poljud e Museu do Hajduk Split

 

Split, Estádio Poljud

 

Split, Estádio Poljud

 

Split, Estádio Poljud

 

Split, Estádio Poljud, entrada

 

Split, Estádio Poljud, exterior

 

Split, Estádio Poljud, Museu do Hajduk Split

 

Split, Estádio Poljud, Museu do Hajduk Split

 

Split, Estádio Poljud, Museu do Hajduk Split, camisola da equipa de 2011 que jogou contra o Barcelona uma partida amigável

 

Split, Estádio Poljud, Museu do Hajduk Split, lembranças dos jogos contra vários adversários, veja-se o Vitória de Guimarães

 

Split, Estádio Poljud, Museu do Hajduk Split

 

Split, Estádio Poljud, sala de conferências

 

Split, Estádio Poljud

A visita ao estádio engloba também a visita ao museu onde se expõem diversos troféus, objetos e fotografias, relacionados com a história do clube. Fundado em 1911, o seu nome homenageia os Hajduk, um povo que era um conjunto de gangues, salteadores, nómadas e assaltantes de beira de estrada na região dos Balcãs, desde a Idade Média até o fim da Idade Moderna, período correspondente ao domínio Otomano na região. Eles atacavam principalmente os nobres e lutavam contra os Turcos, daí a sua popularidade. Eram uns bandidos, mas no bom sentido! Um Hajduk significa um lutador, um fora da lei! Uma palavra forte que trás à tona os valores do Nacionalismo, tão intrínsecos e conotados com partidos extremistas, existentes em muitos grupos organizados de adeptos de futebol. A equipa do Hajduk Split da época 1994/95, ao contrário da do Benfica, que nessa altura iniciou os seus anos de jejum e crise profunda, foi uma das melhores de sempre, tendo caído nessa competição Europeia aos pés do poderosíssimo Ajax, onde jogavam, por exemplo, Seedorf, Davids, Kluivert, Litmanen, Edwin van der Sar, Overmars, os irmãos De Boer e que viria a sagrar-se campeão Europeu. O Hajduk Split tinha o plantel com nomes sonantes, que não ficaram por lá muito mais tempo, como Aljoša Asanović, Ivica Mornar ou Stjepan Andrijašević, chegando mesmo nesse ano a posar com o Papa João Paulo II. O museu referencia os nomes de Luka Kaliterna, Ante Mladinić e Tomislav Ivić, este último bem conhecido dos Portugueses, como as maiores figuras do clube. Três enormes jogadores, treinadores, naturais de Split e que muito contribuíram para a grandeza do clube e do futebol Croata.

Hoje, anos mais tarde, na minha vida profissional, como engenheiro ao serviço da Câmara Municipal de Lisboa, o nome split, desta vez escrito com letra minúscula, passa-me por diversas vezes pela secretária e em serviço externo! Exercendo a minha atividade profissional em projetos, obras e na gestão de manutenção dos edifícios municipais, os splits, aparelhos de ar condicionado de expansão direta, compostos por duas unidades, uma exterior e outro interior, estão sempre presentes, apesar de já existirem soluções técnicas mais sofisticadas e eficientes para climatizar, no entanto estas requerem estudos e projetos mais complexos, pelo que “splitar” vai sendo habitual…

Mas o nome de Split é muito mais do que futebol e ar condicionado! A cidade deve ter o tamanho de Setúbal, é lindíssima, e possui uma História bem rica da qual só muito recentemente tomei conhecimento! A minha ignorância pode ser desculpada porque esses países ainda hoje são tidos como “do leste”, e há mais de 30 anos eram fechados ao Ocidente por via dos regimes que os dominavam, e poucos de nós sabíamos ou estaríamos interessados em saber o que lá haveria para ver, e só os localizávamos no mapa porque eram países grandes. Por esse motivo, considero como pessoas bem informadas e com cultura geral muito acima da média quem nesses tempos ousou fazer turismo além da “Cortina de Ferro”. Por exemplo, a minha mãe, professora aposentada, nunca tinha ouvido falar em Split a não ser por causa dos “futebois”…

 

Split, caminho desde a Praia Kupalište Bene e a Praia Kasjuni

 

Split, Colina Marijan

 

Split, zona marginal

 

Split, chamada pelos Romanos de “Spalatum”, é a maior e mais importante cidade da região da Dalmácia. Esta região abrange territórios da Croácia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro sendo banhada pelo Mar Adriático. Apesar de em tempos por aquelas bandas existir uma colónia Grega, julga-se que a cidade nasceu à conta do Palácio de Diocleciano, que hoje se encontra em ruínas. Este palácio foi mandado construir por Diocleciano, antigo Imperador Romano, que escolheu aquele local para gozar a sua “reforma dourada” no ano 305, quando abdicou voluntariamente do trono tendo ali vivido os últimos anos de vida. Quando faleceu, o seu corpo foi colocado num sarcófago dentro de um mausoléu que ali tinha mandado construir. Após a morte de Diocleciano, o palácio continuou a servir, até ao século VI, de residência oficial para a administração provincial e para as grandes personalidades em exílio, tendo abrigado uma manufactura têxtil. Após as Invasões Eslavas, nasceu uma pequena cidade dentro das suas muralhas como sede episcopal e administrativa das autoridades Bizantinas, a qual sucedeu a Solin, terra natal de Diocleciano, que se situa a cerca de 6Km de Split. Após a integração da cidade na República de Veneza, que durou até 1797, o palácio permaneceu como uma praça forte. O palácio foi perdendo importância após a morte de Diocleciano, ao longo dos anos foi deixado ao abandono e em contínua degradação, sendo por isso ocupado pelo povo para no interior das suas muralhas constituírem residência. Apesar de tudo, os vestígios do palácio ao longo dos anos, atraíram a atenção de arquitectos e eruditos europeus, tendo o seu modelo contribuído para a evolução do Neoclassicismo, um movimento cultural que inspirou várias artes, entre as quais a arquitetura.

 

Split, Palácio de Diocleciano, Catedral de São Dómnio, torre do sino

 

Split, Palácio de Diocleciano, caves, busto do imperador

 

Split, Palácio de Diocleciano, caves, local de filmagens da série Game of Thrones

 

Split, Palácio de Diocleciano, caves

 

Split, Palácio de Diocleciano, entrada

 

Split, Palácio de Diocleciano, entrada

 

Split, Palácio de Diocleciano, peristilo

 

Split, Palácio de Diocleciano, ruas

 

Split, Palácio de Diocleciano, ruas

 

Split, Palácio de Diocleciano, torre do sino da Catedral de São Dómnio

 

Split, Palácio de Diocleciano

 

Split, Palácio de DioclecianoSplit, Palácio de Diocleciano, peristilo

 

Split, zona central junto do Palácio de Diocleciano

 

Split, zona central junto do Palácio de Diocleciano, Teatro Nacional

 

Split, zona central junto do Palácio de Diocleciano

 

Split,. Palácio de Diocleciano, ruas

 

Hoje, a parte mais importante do centro histórico da cidade, melhor dizendo, a parte mais importante de Split, situa-se dentro das muralhas do Palácio de Diocleciano, sendo habitada, possuindo lojas, mercados, praças e a Catedral de São Dómnio, construída reaproveitando a estrutura do antigo Mausoléu de Diocleciano. Passear por essas ruas, ou seja por esses corredores, pisos e muros do antigo palácio, transporta-nos para um cenário mágico. Subindo à torre do sino da Catedral de São Dómnio, podemos observar todas essas ruas, assim como para a zona portuária da cidade e ao longe a Colina Marijan. Ao lado da Catedral de São Dómnio, o peristilo é outro dos locais de passagem obrigatório, local tradicional de um templo Romano, junto ao qual existiam as divisões mais importantes. Visitando as suas caves encontramos alguns cenários da série “Game of thrones”, passeando pelas ruas e ruelas cá em cima, sentimos-nos fazendo parte da ação, mesmo que nunca tivéssemos visto a série!  Pelas restantes ruas e praças do centro da cidade, nas imediações das entradas para o Palácio de Diocleciano, encontramos a estátua do poeta Marko Marulić. Um cidadão natural de Split, considerado como o pai da literatura croata.

Saindo da zona central para o passeio marítimo, a zona marginal, podemos nos dirigir para a Colina Marijan, local que necessita de algumas horas para ser explorado, pois é considerado um parque florestal e o pulmão de Split. Proporciona belíssimas vistas sobre a cidade, sobre a montanha e sobre o mar Adriático com as suas ilhas nas proximidades. O Miradouro Belvedere fica relativamente próximo da zona marginal, pelo que recomendo uma ida ao mesmo quer de dia quer de noite. Já para alcançar o ponto mais alto da colina Marijan, teremos de subir até ao Miradouro “Vrh Marjana” sendo necessário caminhar mais uns 3 Km até aos seus 178 m de altitude, mas a vista compensa largamente o esforço. Em seguida percorrendo trilhos e voltando a descer pelo lado contrário da colina Marijan, encontramos diversas praias, não sendo de areia, proporcionam belíssimos banhos no Mar Adriático, como por exemplo a Praia Lubinski Porat, um género de piscina natrualnuma baía, onde podemos nadar desfrutando de vistas sobre a zona da cidade, onde se encontra o Estádio Poljud,e para a cidade de Kaštel Lukšić. Caminhando depois de regresso ao centro da cidade, pela estrada, encontramos a Praia Kupalište Bene, outra praia semelhante, no caminho da Praia Kasjuni, esta já de areia grossa. O meu dia acabou mais à frente, em Sustipan, uma península que possui este nome em homenagem a um mosteiro. Na Idade Média em Sustipan, os reis croatas eram sepultados, naquele que era tido como um dos mais bonitos cemitérios do país, tornando-se no início do século XIX o primeiro cemitério de Split, acabando por ser desmantelado pelo regime de Tito. Atualmente é um parque, que proporciona belíssimas vistas sobre o Mar Adriático e o local predileto para apreciar o pôr do sol.

O dia seguinte começaria bem cedo com a viagem para Dubrovnik, Mar Adriático adentro…

 

Split, vista desde o Vrh Marjana

 

Split, zona marginal vista do Miradouro Belvedere

 

Split, zona marginal, vista para o porto

 

COMER E BEBER

 

Em relação à gastronomia, na Croácia, peka é o prato nacional. Trata-se de um assado, de carne (borrego ou vitela), peixe ou polvo, misturado com legumes e azeite, tradicionalmente feito em brasas sob uma cúpula em forma de sino. Este método de cozimento antigo resulta em comida leve, tenra e deliciosa. Leva cerca de 4 horas para ficar pronto, pelo que os restaurantes apenas fazem por encomenda e no mínimo para 4 pessoas. Infelizmente não pude provar…

A carne de porco é consumida em grande escala, mas sobretudo em zonas costeiras, pratos de peixe, nas cartas dos restaurantes facilmente encontramos marisco, calamares, e até mesmo sardinha, por lá chamadas de srdela.

Zagreb é um local que se come muito bem e relativamente barato comparativamente a outros destinos turísticos, na zona costeira e nas cidades próximas do Parques Nacionais! Recomendo uma ida à “Pivnica Medvedgrad Ilica”, em plena Ilica, uma cervejaria tradicional onde podemos apreciar várias especialidades. Experimentem “marinirana svinjska rebra na žaru“, um prato de entrecosto preparado à maneira Americana e “kuhani buncek“, é por lá chamado ao pernil de porco, muito semelhante ao comido em outras paragens na Europa central, assim como os acompanhamentos, que eles acrescentam feijão guisado.

Čevapčiči é um nome a fixar para quem vier para estes lados. Na Bósnia e Herzegovina é o prato nacional, mas é consumido em larga escala pelos Balcãs.  Nos locais turísticos deve ser dos pratos mais pedidos, sendo também dos mais baratos das cartas dos restaurantes! Trata-se de rolinhos de carne moída, moldada em pequenas salsichas com cerca de 2,5 cm de diâmetro e 5 cm de comprimento, tradicionalmente de carne de vaca e borrego, misturada com cebola e alho salteados, clara de ovos, sal e paprika. Depois de moldados e deixados por várias horas no frigorífico, são colocados em espetos, os “kabobs” de forma transversal e podem ser cozinhados grelhados no carvão, num grelhador elétrico, no forno, ou ainda fritos num tabuleiro com gordura, até ficarem escuros. Em Split, na zona central, encontrarão o “Bosso steak & burger house” onde poderão pedir.

Em diversas padarias, o burek é vendido em larga escala. Originário da Turquia, mas é pelos Balcãs que reina. Trata-se de um folhado tradicional de massa enrolada, fina, recheado com carne, legumes ou queijo. É tradicional ser consumido ao pequeno almoço tal como ovos e omeletes.

Dada a influência Italiana, pizzas e gelados são consumidos em larga escala, e diga-se de passagem, ambos são divinais!

Vinhos e cervejas pelos Balcãs, existem diversas marcas, e provar é obrigatório. Ožujsko é a marca produzida pela maior cervejeira nacional, a Zagrebačka pivovara. A rakija, é semelhante à palinka que se bebe na Hungria, e convém não abusar! Rakija é uma bebida consumida em larga escala por esses países. Além da rakia existem outras bebidas espirituosas de alta graduação alcoólica (40%).

 

Cerveja nacional

 

Čevapčiči

 

Kuhani buncek

 

marinirana svinjska rebra na žaru

 

Pequeno almoço tradicional

 

SOUVENIRS

 

Para perpetuar as nossas viagens nada como trazer uma recordação e guardá-la por muitos anos. Na Croácia, o burro é rei. O burro da Dalmácia, obviamente! Na Dalmácia este animal é muito apreciado sobretudo pela sua capacidade de trabalho, mesmo sob pressão, carregando mercadoria, fazendo-o incansávelmente. Jakša Fiamengo famoso poeta e escritor croata, refere-se ao mesmo nas suas obras.
Nos países da costa do Mar Adriático, que fizeram parte da antiga Jugoslávia, abundam objetos (brincos, colares, etc) feitos com coral vermelho, apanhado ali a poucas milhas das zonas do litoral. Não é barato! Em Portugal, segundo me informei, é proibido vender.

 

Souvenir, Burro da Dalmácia

 

Souvenir, Coral vermelho

 

VIAJAR NA CROÁCIA

 

Para viajar desde Portugal para a Croácia não existem voos diretos de companhias aéreas low cost. É possível viajar diretamente de Lisboa para Itália, por exemplo para Bolonha, na Ryanair (minha opção) ou na Easyjet para Veneza (rota mais recente) e daqui seguir de autocarro para Liubliana (Eslovénia) e daí para Zagreb.

Através das plataformas Flixbus ou Get by bus é possível marcar viagens de autocarro nacionais e internacionais, e em quaisquer situações, comigo funcionou perfeitamente. A plataforma Get by bus é muito usada em viagens de autocarro nos países dos Balcãs.

É também possível viajar de comboio na Croácia, a companhia nacional é a HŽ Putnički prijevoz, no entanto essa opção não se adaptaria bem ao meu itinerário.

Viajar de barco entre cidades da costa da Croácia também é possível. Uma das companhias de navegação, a Krilo permite comprar bilhetes online. Foi a forma que escolhi para viajar de Split para Dubrovnik.

Existem também ligações marítimas à Costa Adriática Italiana, nomeadamente a Ancona e Bari.

 

Split,Praia Kupalište Bene

 

Split

 

Transporte marítimo de Split para Dubrovnik, companhia Krilo

 

ALOJAMENTO ECONÓMICO

 

Em Zagreb recomendo o Hostel “Swanky Mint Hostel”. A localização é central, em plena Ilica, staff jovem e simpático, onde se encontram muitos viajantes. Possui um bar no interior onde vos será oferecida uma rakija, como bebida de boas vindas, à chegada. Bom pequeno-almoço em sistema de “buffet” é de destacar.

Em Split, recomendo o “Diocletian Apartments & Rooms “, um alojamento local, com gestão familiar, localização central com fácil acesso, a pé, aos terminais marítimo, rodoviário e ferroviário. Staff muito simpático e atencioso.

 

Split, vista desde o Vrh Marjana

 

Split, vista desde o Vrh Marjana

 

Split, zona marginal

 

 

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Chamo-me João Almeida, moro em Sintra (Portugal), e sou um AMANTE DE VIAGENS. Uma paixão que existe faz longos anos. A minha missão com esta página é de ajudá-lo a realizar o seu próximo destino! Saiba mais sobre mim e sobre o site.

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