26 Dez

DESCOBRIR A ÚLTIMA DITADURA DA EUROPA, MINSK- BIELORRÚSSIA

 

Descobrir a última ditadura da Europa, Minsk – Bielorrússia

Texto & Fotos de António Ribeiro

 

Para ser sincero, inicialmente a Bielorrússia não estava nos meus planos. Até por ser algo mais complexo de entrar no País, mas como ia para Kiev e estando assim bem mais perto geograficamente, decidi ir da capital da Ucrânia, para Minsk e conhecer assim a Capital da Bielorrússia.

A Bielorrússia é a última ditadura na Europa, e como sabem não vive tempos muito pacíficos, com a recente (e polémica), reeleição de Aleksandr Lukashenko; o presidente que governa o país desde 1994, e que neste momento vive grandes contestações.

Os edifícios de estilo da ex-União Soviética são evidentes, Aliás aqui ainda existe o KGB (antiga agência de inteligência da união soviética) mas ao mesmo tempo traz uma experiência diferente, tornando-o um país singular.

Praça Independência, Minsk

Torre TV de Minsk

 

Bairro Trinity , Minsk

A cidade de Minsk não é muito grande podendo visitar quase tudo a pé, o monumento e museu da grande guerra fica ligeiramente mais afastado mas numa caminhada faz-se bem, apenas a biblioteca se encontra mais afastada. A cidade é bastante limpa e as pessoas muito educadas, infelizmente apenas as mais jovens falam inglês mas fiquei surpreendido com o respeito que aqui se vive, talvez o peso desta ditadura assim o determine.

 

Centro Histórico de Minsk

 

Fiquei três dias em Minsk (penso ser perfeito), fiquei num Hostel simpático, (Hostel k&C) perto da praça da vitória (uma praça, com enorme importância na Bielorrúsia), quase ao lado da torre de TV. Cheguei a meio da manhã e segui pelo rio “Svislach” em direção ao coração da cidade, começando pela Catedral do Espírito Santo, a principal igreja ortodoxa no país e a principal catedral de Minsk, em frente a Igreja católica de S. José, de estilo barroco construída em 1752; ali junto (mais próximo do rio) o museu de História de Minsk (um edifício do século XIX); ainda no centro histórico temos a Catedral da Virgem Santa Maria, uma catedral católica sendo a sede desta arquidiocese; ali também com uns belos jardins á sua volta temos a câmara municipal de Minsk, um edifício neo-clássico, que apesar de ter sido destruído várias vezes, em 1990 foi terminado e é uma cópia do edifício de 1861; ali perto a igreja de estilo barroco, a Igreja santos apóstolos Pedro e Paulo de Minsk.

Uma breve pausa para comer um hot-dog num estilo diferente numa roulotte parada na praça, junto à catedral.

 

Catedral do Espírito Santo, Minsk

 

Câmara municipal Minsk

 

Igreja S. José, Minsk

 

Entrada do parque vitoria, Minsk

 

Parque Vitória, Minsk

 

Continuando e andando mais um pouco temos outra zona com mais alguns dos principais pontos turísticos da cidade, a praça da independência, a Igreja Vermelha (nome verdadeiro é igreja S. Simão e Helena), uma igreja católica construída em 1910 que como foi projetada por arquitetos Polacos, os tijolos das suas paredes e as telhas vieram da Polónia. Uma igreja bonita que rompe com o estilo da ex-união soviética dos edifícios vizinhos: a Casa do Governo,  no centro desta enorme praça da Independência com a estátua de Lenin em frente, a Casa do Governo é um edifício de 1934 e aqui estão a assembleia nacional entre outros órgãos importantes do governo da Bielorrússia.

Em frente temos a principal e enorme avenida que praticamente atravessa a cidade, a avenida da independência “Praspiekt Niezalieznasci”.

 

Igreja vermelha, Minsk

 

Casa do Governo, e estátua Lenin, Minsk

 

Monumento da Ilhas das lágrimas, Minsk

 

Regressando em direção à praça da Vitória, ali perto temos as portas de Minsk, duas enormes torres de cada lado de uma rua dando mais uma vez uma imagem soviética. Continuando temos o museu Nacional da História e Cultura e a seguir aquele que é o maior museu da Bielorrússia, com inúmeras obras de arte, o museu Nacional de Arte da Bielorrússia. Mais à frente encontramos a praça Outubro onde temos o quilómetro zero e o seu imponente palácio da República, usado para ações oficiais do estado e o palácio sindical da cultura, onde acontecem vários eventos nesta cidade. No outro lado da avenida da independência, para além da praça e jardim de “Aliaksandrauski” temos o Palácio do Exército, um antigo edifício de 1939 pertencente ao antigo exército vermelho, sendo hoje a principal instituição cultural das forças armadas Bielorrussas.

 

Palacio da Republica, Minsk

 

Palácio sindical da cultura, Minsk

 

Seguindo para junto do rio Svislach, já com a praça de vitória no horizonte encontramos do lado esquerdo o circo estatal (do estado) da Bielorrusia, uma construção em pedra com uma cúpula no centro, inaugurada em 1959; o circo é algo muito cultural no país havendo inclusive dois circos do estado, este e outro na cidade de Gomel. Eu não visitei, mas penso que será uma experiência interessante.

Atravessando a ponte do nosso lado direito, temos o parque “Gorky”, com enorme portão de pedra na entrada, temos aqui para além de um espaço grande e verde para descontrair, um parque de diversões e o planetário de Minsk.

 

Portão de entrada do parque Gorky

 

A Praça da Vitória, onde passam todos os desfiles e acontecimentos de maior importância, sendo também comum ver recém casados tirar fotografias por aqui; do lado esquerdo temos a casa museu do 1º congresso do partido trabalhista social democrata Russo; e junto ao rio temos um pequeno parque, “Yanka Kulapa” (um escritor Bielorrusso). Seguindo a avenida da independência, temos o palácio das artes e o museu de arte contemporânea.

De regresso ao Hostel, para jantar e descansar, aproveitando à noite para visitar o centro histórico, para ver a beleza da cidade durante a noite.

 

Praça Vitória, noite, Minsk

 

Museu do congresso do partido trabalhista, Minsk

 

No segundo dia, comecei pelo edifício da ópera e ballet Nacional (algo também bastante cultural na Bielorrússia),   inaugurado em 1939 situado no parque “Trajeckaja Hara”, sendo esta zona da cidade a “trinity suburb”, o distrito mais antigo desta cidade; já fora do parque do outro lado da avenida, dá para ver o coração deste bairro com as casas bastante conservadas e um estilo diferente; seguindo à beira do rio temos a Ilha das Lágrimas, uma pequena ilha com uma ponte e em que no centro tem uma estátua de homenagem aos soldados mortos na guerra com o Afeganistão, figuras com mães de luto e viúvas; mais num extremo uma figura infantil de um anjo.

 

Academia Nacional de opera e ballet de Minsk

 

Seguindo para fora do centro da cidade, temos o parque Vitória, um parque enorme muito bem cuidado em que tal como no Gorky park tem um enorme “portão” em pedra (monumento do triunfo); temos várias esculturas espalhadas pelo parque, e toda a zona junto ao rio, um local ideal para passear. Aqui temos também outro dos principais pontos da cidade, o museu Bielorrusso da Guerra Patriótica, para celebrar o fim da invasão Nazi na cidade, encontra-se aqui desde 1966 (a entrada custa 9BYN, cerca de 3€); Junto do museu temos o monumento dos heróis (obelisco), construído em 1985 em comemoração dos 40 anos da Guerra patriótica.

Aproveitei para desbravar mais um pouco desta cidade, descobrindo para além do óbvio.

 

Palácio do Exercito

 

No terceiro dia, já que tinha o voo ao fim da tarde finalizei a minha visita a Minsk com a visita à biblioteca nacional; como é dos locais a visitar mais afastados, fui de metro desde a praça vitória, cerca de 15 minutos de viagem; (a paragem é em “Uschod”). A biblioteca é um dos edifícios públicos mais modernos da cidade, foi terminada em 2006, quase todo revestido em vidro e com o formato de um rombicuboctaedro; é o principal centro de cultura e informação do país. Podemos também passear pelo seu parque envolvente com um pequeno rio; Aproveitei para ir a um supermercado aqui perto, para ver como era fazer compras locais.

Após um descanso, descanso com o desfrutar de um café e comprar mais uns souvenirs, parto para o aeroporto, para voar para Vilnius.

Valeu a pena visitar esta cidade, podemos ser surpreendidos.

 

Museu Bielorrusso da grande guerra, Minsk.

 

A gastronomia da Bielorrússia, baseia-se essencialmente em sopas e vegetais especialmente a batata, sendo esta a base da maioria dos pratos; as salsichas e linguiças também são muito comuns, carnes de porco galinha e vaca são as mais comuns. O prato mais famoso é o Draniki, uma espécie de pastéis de batata fritos com várias vertentes de tempero, e por vezes recheado. Eu acabei por descobrir uma espécie de cantina onde funcionários locais almoçavam, uma experiência autêntica e algo engraçada.

 

Gastronomia da Bielorrússia

 

Dicas e Notas:

Apesar de não ser necessário visto, o seguro de saúde com cobertura de 10.000€, é obrigatório e recomenda-se que tenha a declaração da apólice em Inglês.

Consultem a página do portal das comunidades para atualizações que possam haver, não existe representação diplomática em Minsk, pelo que é a Embaixada de Moscovo que trata dos assuntos, eu na altura contactei com a embaixada de França, que tem representação Diplomática lá.

Na altura pediam as reservas de hotéis, e capacidade financeira de cerca de 25€ por dia, informem-se da situação actual no site Belarus ou na embaixada.

 

Circo estatal da Bielorrússia, Minsk

 

Nota importante, que só podem entrar e sair na Bielorrússia pelo aeroporto de Minsk: eu cheguei vindo de Kiev, e queria ir de Bus para Vilnius mas tal não é possível; apenas voando desde o aeroporto de Minsk.

Em termos de voos não fica muito barato ir até Minsk, os voos diretos mais baratos são para Vilnius, Kiev e Varsóvia, a companhia de bandeira a Belavia; façam várias pesquisas, mas eu recomendaria que juntassem outro destino de onde fosse o voo barato; conseguindo assim visitar dois destinos pois para além dos custos a distância compensa. Notem que não podemos ir da Bielorrússia para a Rússia.

 

A moeda na Bielorrússia, é o Rublo (BYN), 1€ – 3 Br (Se puderem usem cartões que não cobrem comissões como Revolut, N26, Moey etc. ou se o vosso banco vos conseguir disponibilizar esta moeda, vejam se o câmbio é bom e a taxa baixa); o domínio de internet é o: .by; o indicativo telefónico é o +375; o alfabeto é o cirílico e não vemos muito o latino, a minha experiência é que fala-se muito pouco inglês.

Para ir do aeroporto para o centro de Minsk, temos o bus, demora cerca de 45 minutos e custa menos de 1.5€ (3.5Br), podemos comprar diretamente no bus,  podemos comprar online e nos guichês. Para perto da estação de metro “Urucha”, e junto da estação central de bus.

O metro é bastante barato, se não quiserem complicar com a compra de cartão podem simplesmente pagar por cada viagem indo ao guichê, por cada viagem temos uma espécie de moeda plástica.

Cuidado com as fotografias a edifícios militares, pois é em alguns edifícios não o permitem e por norma são vigiados.

 

Minsk-logótipo

 

A melhor altura para visitar a Bielorrússia é nos meses de verão, eu fui em Setembro, já apanhei alguma chuva e frio, os meses são mais duros, para fazer a visita, mas visitar com neve e frio pode ter a sua magia para quem gosta.

Quem tiver mais tempo, Gomel e Gomel, são as maiores cidades para além de Minsk, e com boa oferta turística.

 

 

 

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João Almeida

Chamo-me João Almeida, moro em Sintra (Portugal), e sou um AMANTE DE VIAGENS. Uma paixão que existe faz longos anos. A minha missão com esta página é de ajudá-lo a realizar o seu próximo destino! Saiba mais sobre mim e sobre o site.

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