3 Mar

TANZÂNIA- SAFARI SIGNIFICA VIAGEM

 

A República Democrática da Tanzânia ou mais comumente chamada apenas de Tanzânia, é um país da costa oriental Africana, constituído pela região originalmente chamada de Tanganyka e pelo arquipélago do Zanzibar.

Zanzibar @Landescape

 

Tem aproximadamente 10 vezes o tamanho de Portugal e 58 milhões de pessoas. Faz fronteira com a República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi a Oeste, Quénia e Uganda a Norte, Moçambique, Zâmbia e Malawi a Sul e com o oceano indico a Este, onde se encontra o arquipélago do Zanzibar. Curiosamente, ao contrário da maioria dos seus países vizinhos a Tanzânia não sofreu com genocídios ou guerras civis pós-coloniais e tem vivido em paz desde a sua descolonização em 1964. Uma figura central da politica de paz e que está presente no coração de todos os tanzanianos é aquele que foi o seu primeiro presidente Julius Nyerere, e que até à sua morte em 1999 lutou por uma Tanzânia democrática, livre e pacifica. É famosa a sua Declaração de Arusha feita em 1967.

Parque Nacional de Serengeti- Tanzânia @Landescape

 

Parque Nacional do Serengeti – Tanzânia @Landescape

 

Infelizmente, apesar desta aparente tranquilidade o cliché tantas vezes ouvido “This is Africa!” mantém-se. A pobreza e diferenças sociais, a iliteracia e a poluição são tão evidentes que se fazem sentir no primeiro minuto em que aterramos. A maioria das pessoas luta diariamente pela sobrevivência num país à sombra do neocolonialismo. Muitas delas nem “existiam” até 2010, quando foram lançados os primeiros cartões de identificação eletrónicos. É um choque para quem nunca pisou terras africanas, ou melhor, enquanto se mantiver assim será sempre um choque.

Maasai @Landescape

 

Mas de igual modo não demora muito até descobrirmos um país de uma beleza natural inigualável. E eu tive a oportunidade de viajar por lá. Tive a oportunidade de conhecer um país que a maioria da própria população não conhece nem nunca irá conhecer. Muitos deles só sabem o que é um “mzungu”, o nome dado a “branco” em swaili, a língua oficial tal como o inglês, através do seu telemóvel…sim isso não falta. O acesso à internet é uma ferramenta acessível e que é muito útil, permitindo a algumas organizações usa-la para o desenvolvimento local mas por outro lado, ter o melhor telemóvel, assim como a maior televisão tornou-se, na maioria dos casos, um objectivo de vida.

Tanzânia @Landescape

 

Neste artigo vou levar-vos num “safari” por este magnífico país: de Dar Es Salaam, a maior cidade do país. Vamos subir até ao Norte, de onde vamos voar para a costa índica e navegar até ao Zanzibar.

 

Dar es Salaam – a maior cidade da Tanzânia

Dar es Salaam é erradamente apelidada de capital da Tanzânia. E foi efetivamente no passado, porém, a capital foi transferida para a cidade de Dodoma, centralmente localizada. No entanto, é em Dar es Salaam que ainda se encontram as embaixadas e edifícios governamentais. Não é uma cidade muito atrativa à primeira vista, mas é tão diferente daquilo que estamos habituados que apenas ficar a observar o movimento da cidade é já de si interessante. O trânsito é caótico e a população é uma mistura cultural. Muitas mulheres estão altamente produzidas e usam cabelos postiços para esconder o seu lindo cabelo africano (nunca estamos contentes com o que temos). Outras usam o kitenge como vestuário ou véus na cabeça. Alguns homens usam o kufi, outros usam o terço ao pescoço. É interessante referir que este país é maioritariamente católico, sendo que a segunda maior religião é o Islão e depois as crenças tribais. Foi-me oferecida uma bíblia e um Corão para ler. Também se veem Masaai, outrora pastores, que vêm para a cidade à procura de uma vida melhor e normalmente ocupam postos de trabalho como seguranças, por serem considerados fortes guerreiros. Por isso mesmo ainda usam o seu facalhão à cintura. Há fruta deliciosa à venda na beira da estrada. E o calor e humidade não nos deixam secar.

Dar Es Salam @Landescape

 

A origem de Dar es Salaam e o seu nome árabe remontam aos tempos em que se estabeleceu como um importante porto da rota árabe de comércio de escravos. Uma saltada ao Museu Nacional de Dar Es Salaam ajuda a perceber um pouco melhor a história deste país. O que também ajuda é uma visita à cidade de Bagamoyo, aproximadamente 60 km a Norte de Dar Es Salaam ou a 2 horas de “dala-dala”, nome dos pequenos autocarros que servem a cidade (também existem tuk-tuks para viagens mais curtas ou táxis). Esta cidade está listada na UNESCO por se encontrarem edifícios coloniais, do tempo da escravatura e das primeiras missões da igreja católica na Tanzânia.

Zona rural da Tanzânia, entre Arusha e Dar es Salaam @Landescape

 

Existem vários hotéis em Dar es Salaam, muitos usados para estadias de negócios. Mas existem também muitos resorts de luxo ao longo da costa, tanto para Norte como para Sul. No entanto, as praias são mesmo muito poluídas. Para dar um mergulho em águas límpidas e refrescar do calor que se faz sentir, podem apanhar um barco da costa Norte para a ilha Mbudya, numa viagem de 20 minutos. Aqui servem um bom peixe fresco grelhado e cerveja fresca. É basicamente um pequeno paraíso. A cidade tem alguns supermercados onde podem encontrar de tudo um pouco, incluindo dois no único centro comercial da cidade. Para compras de artesanato e souvenirs existem dois mercados locais. Para as refeições, existem vários restaurantes ou nos hotéis. Porém, se se quiserem aventurar, podem parar na beira da estrada e pedir un chips massai, basicamente frango de churrasco com batatas fritas ou omelete com batatas fritas. Sim, a fruta é maravilhosa, mas ementas não são muito variadas.

Para as pessoas que vêm da Europa de férias esta cidade é normalmente apenas um ponto de partida para o Zanzibar ou para o Norte do país onde se encontram os parques naturais.

 

Arusha – cidade base das expedições para Serengueti, Lake Manyara e Cratera do Ngorongoro

Para chegarmos a Arusha a maneira mais rápida e confortável é apanhar um voo para o aeroporto de Kilimanjaro. De autocarro demora aproximadamente 10 horas, mas estamos em África para conhecer ou não? Existem diversas companhias de autocarros públicas (mas também há transferes privados, para os menos aventureiros) e tentar escolher uma parece uma missão impossível, mas assim que iniciamos a viagem, esquecemo-nos de tudo ao observar a belíssima paisagem africana. A terra é vermelha. Vamos passando de vila em vila onde entramos um pouco em contacto com a vida rural do povo tanzaniano. Nas alturas em que o autocarro pára, somos bombardeados com vendedores ambulantes que gritam ou batem na nossa janela tentando vender os mais variados produtos. E o Bongo Flava no autocarro está aos berros. As ancas abanam mesmo sentados. Uma pequena grande aventura. Rimos ou choramos? Rimos de certeza! Finalmente chegamos a Arusha. É uma cidade recheada de Jeeps 4×4 uma vez que o principal negócio são os demais tours para os parques naturais.

Arusha @Landescape

 

Estamos a poucos quilómetros de observar uns dos maiores santuários de vida selvagem do mundo, a savana do Serengueti, que significa Grande Planície em Maasai, o povo indígena da região. É para aqui que muitos turistas e entusiastas da vida selvagem se dirigem para observar a maior migração animal terrestre. É um dos mais belos espetáculos selvagens. O caminho é feito por entre acácias, a magnifica árvore de África e as famosas baobáb (“viradas de pernas para baixo”). Não menos espectacular é a cratera de Ngorongoro. É a maior cratera vulcânica intacta e inativa do mundo. O seu anel tem 19 quilómetros de diâmetro e a sua planície verdejante é das mais densamente habitadas, com milhares de animais. É um local mágico!  A uma hora da cratera fica o lago Manyara, também ele riquíssimo em vida selvagem e famoso pelos seus flamingos cor-de-rosa que habitam as suas águas alcalinas. Todos estes parques naturais são ainda mais especiais porque se encontram na região do grande vale do rift. De acordo com as mais recentes teorias, foi nestas terras que a humanidade teve origem e vestígios dos primeiros hominídeos foram encontrados nas caves Olduvai. São também importantes locais palearqueológicos como as pegadas de Leotoli, que confirmaram o bipedalismo que nos distingue dos outros primatas.

Cratera de Ngorongoro – Tanzânia @Landescape

 

Cratera de Ngorongoro- Tanzânia @Landescape

 

Cratera de Ngorongoro @Landescape

 

Arusha- Kilimanjaro

Embora a maioria das expedições se faça a partir de Moshi, também de Arusha se organizam trekkings para a maior elevação de África, o Kilimanjaro. Com 5895 metros de altura é um dos 7 summits mundiais, e está na lista dos mais ambiciosos montanhistas. Mas não só os profissionais se querem pôr a prova. Anualmente, um grande número de pessoas calça as botas para tentar atingir o pico daquele que é também considerado um dos maiores vulcões do mundo. Um gigante adormecido. O número de pessoas é elevado porque, apesar de ser o quarto maior dos 7 summits existem várias rotas para chegar lá acima, com diferentes níveis de dificuldade e aclimatização à altitude, dependendo muito da capacidade física e mental de cada um. Para algumas pessoas será um life-changing. Mas se não quiser ou não puder subir e caso a visibilidade o permita, é impressionante olhar para o seu pico coberto de neve, sentir e comparar com as temperaturas cá em baixo que podem ser altíssimas. É um estranho contraste. Uma outra opção de cortar a respiração é ganhar asas e levantar voo num pequeno avião ou balão de ar quente e olha-lo lá de cima. Infelizmente, tal como está a acontecer com todos os picos montanhosos do mundo cobertos de neve, incluindo o seu vizinho Monte Quénia, o segundo mais alto de África, os glaciares, tão fundamentais para o abastecimento de água da região, estão efetivamente a desaparecer e muitos sugerem que no final deste século já não haverá neve. Obviamente que está ligado às alterações climáticas e poluição e foi muito triste perceber que há agências que fazem tours de limpeza, os chamados voluntariados “Help to clean kilimanjaro” por 15% de desconto… Alguma coisa não está bem aqui. E será que também vão ter que começar a pintar de branco tal como estão a fazer nos Andes no Peru?!

Mas vamos voltar a descer (se possível com sacos de lixo, por favor).

Da zona gélida e árida do topo a descida do Kilimanjaro faz-nos atravessar diferentes ecossistemas, desde uma riquíssima cintura florestal até acabarmos na savana, em muitos locais substituída por campos de agricultura, especialmente de milho e sisal (introduzido pelos alemães). A produção de café e bananas também abunda em terras mais altas e as últimas são aqui usadas para a produção artesanal, principalmente pelos povos indígenas, os Chaga, de um tipo muito especial de cerveja, a mbege.

Planos da estrada

Para sair de Arusha, a maioria das pessoas opta por voar do aeroporto do Kilimanjaro para o Zanzibar. Mas nós vamos aterrar em Pangani.

Arusha @Landescape

 

Tanga e Pangani   

Aproximadamente 400 quilómetros a este de Arusha, encontra-se a tranquila cidade de Tanga. É o porto marítimo mais a norte do pais, já na fronteira com o Quénia. Tal como a maioria das cidades ao longo da costa índica da Tanzânia, Tanga foi também em tempos um importante ponto de comércio de escravos e marfim. Apenas a 8 quilómetros de distância podem visitar as místicas Caves Amboni, consideradas umas das maiores cavernas de calcário africanas, palco de tradicionais rituais e a casa da Deusa da fertilidade. Já a 45 quilómetros para sul encontra-se a cidade de Pangani, situada na foz do rio com o mesmo nome. Outrora um importante porto é hoje uma pequena cidade piscatória cheia de história que parece ter parado no tempo e com praias de águas transparentes e delineadas por coqueiros. Para os visitantes poderem disfrutar desta tranquilidade e beleza, alguns tímidos resorts foram construídos ao longo da costa. Felizmente estão tão integrados na natureza que parecem fazer parte dela. Em Pangani é obrigatório fazer um tour de barco pelos mangais, tão importantes para o ecossistema e que estão em riscos de desaparecer. Este é um dos paraísos mais secretos da Tanzânia.

Acácia no Parque Nacional do Serengeti @Landescape

 

Zanzibar – um paraíso com cheiro a especiarias

De Pangani a Zanzibar são duas horas de barco. Vamos navegar no Índico e numa zona muito especial. Foi no fundo das águas azuis esverdeadas deste estreito que há bem pouco tempo se encontrou uma espécie pré-historica de peixe, o coelocanth, que se pensa estar na origem dos primeiros animais terrestres. Por isso mesmo esta zona é agora protegida.

Mercado em Stone Town, Zanzibar @Landescape

 

Quando chegamos a Zanzibar o cenário é de uma ilha saída de um livro inimaginável! A influência árabe vê-se, cheira-se e ouve-se. A arquitetura dos edifícios brancos com as portas robustas de madeira e com janelas e varandas esculpidas detalhadamente, faz-nos acreditar ter regressado ao passado. As ruas são estreitas e labirínticas e o melhor que podemos fazer é deixarmo-nos perder por entre elas enquanto absorvemos o ambiente da cidade. O branco contrasta com as cores dos mercados e especiarias, lojas de tecidos e de handicrafts. Em Zanzibar a maior parte da população é muçulmana e para respeitar os seus costumes é muito importante termos cuidado com a maneira como nos vestimos, apesar do calor que se faz sentir. Zanzibar é uma zona concorrida e por isso mesmo há hotéis e restaurantes para todos os gostos. É aqui que também se realiza um dos maiores festivais de música africana, o Sati Zabuzara, em Fevereiro. Se gostarem de boa música e de dançar até não poder mais, não o podem perder. Apesar de todas as dificuldades África adora dançar!

Zanzibar @Landescape

 

Zanzibar @Landescape

 

Mwanza – Cidade das rochas no supe do lago vitoria

A duas horas a oeste do Serengueti fica a segunda maior cidade da Tanzânia, Mwanza. A cidade encontra-se à beira do maior lago de África e também o maior lago tropical do mundo, o lago Vitoria, nome colonial dado em homenagem a rainha Vitoria de Inglaterra. Existem muitas curiosidades acerca deste lago. Tal como o lago Manyara o lago Vitoria também pertence ao grupo dos grandes lagos africanos, em particular dos lagos do vale do rift. No entanto, enquanto o lago Manyara tem águas alcalinas, o Vitoria é de água doce. O lago tem numerosas ilhas, incluindo a maior ilha “em terra” do mundo, a Ukerere. Esta ilha é especial pois nela reside uma grande comunidade de pessoas com albinismo. Os albinos são ainda hoje uma população largamente oprimida mas nesta ilha vivem em paz. O ecossistema do lago também está completamente danificado devido a introdução de uma espécie de peixe, a perca do nilo, que devastou as outras comunidades de peixes todas, alterando para sempre o ecossistema. Muito deste peixe é vendido para a Europa, ficando a qualidade mais baixa no país. Apesar de tudo é especial ver o pôr-do-sol no lago. A sua imponência e avassaladora!

 

Kigoma –  Cidade base para o Gombe National Park

Porto marítimo do lago Tanganyka ; refugiados ; chimpanzés

De Kigoma, poderíamos optar por voltar a Dar es salaam de comboio através da linha que atravessa todo o pais de ocidente a oriente….

Descida do lago tanganyka; ferry.

Curiosos com a Tanzânia? Prometo em breve partilhar convosco a segunda parte deste texto com mais argumentos para agendarem esta pérola de África para as vossas próximas viagens. Caso já tenham ficado convencidos, recordo que temos um roteiro de 12 dias e 11 noites, a decorrer de 10 a 21 de Junho. Todo o programa e condições da viagem disponíveis no seguinte link:

SAFARI SIGNIFICA VIAGEM

Zanzibar @Landescape

 

Escrito por Carolina Matos, líder de viagens na Landescape

 

João Almeida

Chamo-me João Almeida, moro em Sintra (Portugal), e sou um AMANTE DE VIAGENS. Uma paixão que existe faz longos anos. A minha missão com esta página é de ajudá-lo a realizar o seu próximo destino! Saiba mais sobre mim e sobre o site.

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